terça-feira, maio 23, 2006

Corpo de água desfeito

O gato escaldado responde ao chamamento da água. Lá na Paisagem.


O Gato na Paisagem

sexta-feira, maio 19, 2006

Virtualidades ou a Marilu contra-ataca...

Estou cada vez mais preocupada com a minha amiga Luísa. A Marilu, lembram-se?
Eu contei que ela embarcou naquela relação virtual com o Flash Gordon, que afinal parece que se chama Rui. Bom, andou durante uns tempos muito feliz, dizia que ele era um homem fantástico, muito meigo, muito apaixonado. Dedicavam poemas um ao outro e tinham as suas maravilhosas sessões no msn às quais, garanto-vos, eu nunca assisti porque a privacidade de cada um não se viola , ora essa…
O pior foi que, há uns tempos a esta parte, a Luísa começou a desconfiar de uma tal Dale e outras que apareciam muito nos comentários do Flash. Um dia encontrei-a furiosa e fazendo planos de vingança. Entre impropérios que não repito aqui, só percebi que ela dizia:

-Ele diz que é tudo inocente. Ai, mas eu desmascaro-o…

Pensei cá para comigo que, se ela não conhecia o homem nem todo aquele harém dele, ia ser difícil desmascará-lo… mas isso é porque eu sou completamente tapada nestas coisas da net, sabem?

Já me tinha esquecido do incidente, quando, nas minhas visitas diárias ao blog da Luísa e , por consequência, ao do bendito Flash, comecei a reparar numa “negra vida” que comentava assiduamente os posts dele. Não só assiduamente. Apaixonadamente, também. Comecei logo a contar os minutos que faltavam para a Luísa me aparecer lavada em lágrimas. Mas nada. Passaram dias e dias, as chamas rondavam já a caixa de comentários, quando, de repente, a “negra vida” deixou de aparecer. E, um dia depois, a Luísa entrava-me pela casa dentro, num choro desatado.

- Safado! Uma pessoa confia nos homens e depois apanha com isto! Eu bem te disse que ele me atraiçoava…

Tentei acalmá-la. Uma água, um sumo? A Luísa estava inconsolável e foi difícil fazê-la explicar o que se passara. –É por causa da “negra vida"?- perguntei eu, a medo.

Aí, o choro aumentou.

- Sim e não. A “negra vida” sou eu…

O meu espanto foi tal que ela se viu na obrigação de explicar. Para desmascarar o Rui, ela tinha assumido aquele nick, comentava-o daquela forma e tinha-o convidado para o msn.

- E?- perguntei eu, burrinha de todo.

- E ele fez com ela o mesmo que faz comigo! Traiu-me. Agora o que é que eu faço? Confrontei-o e ele teve a “lata” de me dizer que sabia que era eu pelo IP… Mentiroso!

Agora, raciocinem comigo. Que é que eu podia dizer à Luísa? Eu que nem sei o que é esse tal de IP. Tal como eu via as coisas, ela tinha sido traída consigo própria e virtualmente. Entendam, isto foi confusão demais para a minha cabeça…

- Luísa, desculpa, mas isso faz assim muita diferença para a vossa “relação” (se assim se pode chamar) ?

- Claro que faz. Ele devia ser-me fiel. Mas não e eu tenho a certeza que ele não ligou nada ao IP…

Bom, a minha paciência esgotou. Tinha a minha conta de virtualidade, por um dia. Em desespero de causa, passei-me completamente

- Sabes que mais? A “negra vida” que és tu mas te prega essas partidas, arranja para aí um “negra morte” qualquer e trai o Flash/Rui. Ficam virtualmente quites. E quem fica a ganhar és tu, porque afinal ele nem variou de “virtualidade”…

A Luísa secou as lágrimas e olhou para mim espantada.

- Tu és mazinha. Quem diria, com esse ar de sonsa? Mas essa é uma ideia genial…

Mas isto é para entender? Saiu porta fora e, desde esse dia, não me chorou mais no ombro. E eu, juro, por uns tempos não entro em blogs nem em msn, nem me chego ao PC. Palavra!

domingo, maio 14, 2006

Chamo-te gato...

A água quente chama o Gato de uma forma muito especial...


O Gato na Paisagem

quarta-feira, maio 10, 2006

A "doença" do Quim Remédios

O meu amigo Quim Remédios anda por baixo. Vocês recordam-se, certamente, do Remédios. Como tive oportunidade de contar, a alcunha de “remédios”, colada como marca, ou destino, ao afável nome de baptismo do meu amigo, provem da circunstância de, nos tempos de estudante de medicina, ter receita pronta, sempre que amigos ou simples conhecidos, o assediavam, perante doença verdadeira ou imaginária.

-“ Oh pá, f...de! É remédio santo!...”- rematava o Quim, em todas as emergências, com uma valente palmada nas costas. Daí o “remédios”...

É verdade que, na matéria, o meu amigo não era nenhum teórico. Cultivava, antes, o gosto prático dos artesãos. Praticava a “receita” e respirava saúde, como então vos disse... Daí a densidade do actual drama do meu amigo, quase a assumir foros de tragédia...

Pois é verdade! Um dia destes encontrei-o em casa de amigos comuns. Mal me viu entrar, do outro lado da sala, o Quim percorreu os metros que nos separavam, meteu o braço no meu e, enquanto nos afastávamos para um canto discreto, atirou-me:

- “Oh pá, tenho um grande problema! Um verdadeiro drama...” – esclareceu, ansioso.

Conheço bem a vocação teatral do meu amigo e a euforia dos seus gestos e atitudes. Sei, por isso, que os seus exageros acabam sempre por se reduzir a expressão mais simples, nos “dramas” com que, por vezes, pinta a vida (a sua vida!).

Estive, por isso, quase tentado a devolver-lhe a expressão que o tornou célebre : “oh pá, f...! é remédio santo!..” Ainda bem que o não fiz, pelas razões que irão ver. Porém, não pude deixar de saborear um certo gozo intimo, perante o sofrimento do meu amigo...

Limitei-me, pois, a lançar um olhar distraído, entre irónico e curioso e, como era de esperar, referi-lhe que os amigos são para as ocasiões: - “vê lá Quim se eu te posso ser útil nalguma coisa...” - bem sabendo eu que a próspera actividade clínica do meu amigo, com uma clientela da moda, afastariam, à partida, quaisquer preocupações materiais, pelo que a minha disponibilidade não ultrapassaria o razoável plano “do apoio moral”.

Então o Quim puxou-me para ele e, com o seu braço atlético sobre os meus ombros, segredou-me que padecia de uma qualquer enfermidade, declinando um daqueles palavrões médicos, impronunciáveis para quem não seja iniciado...

Impávido, fixei-o, procurando discernir, na sua expressão, a gravidade da doença. Ante o meu silêncio, compreendendo, por certo, que eu ficara a zero, quanto à natureza dos seus males, o Quim puxou-me ainda mais e segredou uma expressão em latim, de cujo sentido apenas retive vagamente o significado de erectus. E, antes que eu pudesse exortá-lo a falar português corrente, o Quim Remédios, do alto do seu metro e noventa, desancou-me:

- “Porra, estás cada vez mais burro! Estou a ficar impotente, disfunção eréctil, percebeste, pá?!“- quase gritou! E num tom mais suave : - “ultimamente, tenho-me ido a baixo e não encontro graça nenhuma, pá!...”

Confesso que a minha gargalhada brotou espontânea e sem qualquer intenção de apoucar o meu amigo. Contudo, não resisti a uma pequena farpa:

- “Mas Quim, o especialista na matéria és tu! Nisso não te posso valer!... Acontece aos melhores...” – declarei, procurando conter o riso e desembaraçando-me do abraço.

E, percebendo o Quim mais descontraído, pelo benéfico efeito da minha gargalhada, alarguei o olhar a sala e inquiri-o, apontando o corpo crepitoso da Zélia, uma morenaça espampanante, a rebentar de cio, no seu tailleur rouge:

- “Não me digas que a maravilhosa “botija sentimental” – é assim que amorosamente a designa -, que tiveste o muito bom gosto de eleger como último trofeu, não é capaz de fazer o milagre?!...”

E, sibilino, acrescentei num sorriso malévolo: - “ E que tal se lhe comprares lingerie a condizer?!...”

Então o Quim, descoroçoado:

- “Nada que não tivesse tentado, pá!..”- retorquiu – “mas imagina tu que uma noite destas, quando lhe mandei pôr umas cuequinhas de seda preta, a gaja teve o desplante de me dizer : “Para quê?!... Só se queres ver a minha passarinha de luto!..”

Vocês acham que o “Remédios”, tem remédio?!... Francamente, começo a duvidar...

quinta-feira, maio 04, 2006

Vai um chocolatinho?





Tenho para aqui chocolates que me deram na Páscoa. De cada vez que ponho um bombom na boca e aquele delicioso sabor se espalha, apetece-me dizer :”não me chateiem, estou a curtir uma trip de chocolate”. Já desde os aztecas que a humanidade se rende ao chocolate, porque é que eu me hei-de sentir culpada deste vício?

Acreditavam os aztecas que a infusão de sementes de cacau a que chamavam tchocolatl era um poderoso afrodisíaco e que essas sementes lhes tinham sido dadas pelo próprio deus Quetzalcoatl . Hoje em dia, os cientistas concluíram que o chocolate estimula a produção de um produto químico chamado feniletilamina. Esta substância tem sido associada há algum tempo à sensação de estar apaixonado. Já viram bem? Uma caixa de bombons é uma overdose de paixão.

Na verdade, a bebida que esses povos antigos consumiam era amarga mas, provavelmente, suficientemente apelativa e rodeada de uma mística especial para que o espanhol Cortés (embora não a tenha apreciado quando, por cortesia e homenagem, lha ofereceram) tenha trazido as sementes de cacau para a Europa (juntamente com tudo o resto que foi possível, claro…), onde lhe começou a ser adicionado açúcar, canela, baunilha, leite, etc. etc… até àquela panóplia de sabores que, neste momento, existem à nossa disposição.

Não sei se foi Quetzalcoatl ou não quem deu à humanidade a possibilidade de usufruir de algo tão delicioso, mas a verdade é que o senhor Lineu (aquele que tinha a mania de classificar tudo quanto era plantinha que lhe aparecia à frente…) deu à planta o nome científico de Theobroma cacau (em grego, alimento dos deuses) e ele lá sabia o que fazia…

Uma coisa me pergunto: se o chocolate induz o mesmo sentimento que a paixão, será que pode substituir o objecto da paixão? Assim, à primeira, estou a ver algumas vantagens. Talvez, em breve, não coubéssemos nas portas, mas vejam lá as tragédias que se evitavam… Cá por mim, acho que vou pôr à venda uns quantos chocolatinhos aqui na Retrosaria. Sei que não é produto deste ramo, mas talvez seja importante para a felicidade dos clientes (aqui o masculino inclui o feminino, entenderam?).

E agora vou parar de escrever, que o Zé acabou de entrar e traz uma caixa de chocolates na mão. Que será que ele quer? Induzir ou substituir a paixão? Ora aí está um enigma interessante…

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Fontes diversas na net